Quem aí já assistiu a La La Land? Gente, que filme lindo! Confesso que talvez tenha entrado na sala de cinema com as expectativas um pouco altas demais depois de tantos elogios e 14 (sim, quatorze) indicações ao Oscar. Mas não tem como negar que é um filme incrível. Daqueles que mexe com a gente, sabe? Que faz a gente pensar. Aviso logo, que teremos spoilers por aqui, viu?

Já está na hora de começar a se programar pro Festival do Rio 2012! O evento começa amanhã, dia 27 de setembro, e se estende até o dia 11 de outubro. Durante esses 15 dias, o Rio de Janeiro reúne os destaques do cinema contemporâneo com 400 filmes de mais de 60 nacionalidades que serão exibidos em 30 locais diferentes. Serão produções internacionais inéditas no país além de uma competição de longas-meragens brasileiros.

Entre os destaques que virão à cidade este ano estão Another Year, de Mike Leigh, que teve indicação ao Oscar por melhor roteiro em 2011 e Twixt, o novo filme de terror de Francis Ford Coppola, tachado como tolo por críticas internacionais. Teremos também um dos vencedores do Festival de Veneza, Pietà, do diretor sul-coreano Kim Ki-Duk e o super elogiado Caesar Must Die dos irmãos Taviani, ganhador do Urso de Ouro em Berlim. Angelina Jolie dirige In the Land of Blood and Honey, outro longa que não foi bem aceito pelas críticas, e o talentoso Wes Anderson traz Moonrise Kingdom, uma das maiores promessas do festival.

Já o diretor mexicano Carlos Reygadas nos apresenta Post Tenebras Lux, que foi motivo de polêmica em Cannes. Cabin in the Woods, de Joss Whedon, diretor de Os Vingadores, é imperdível para os amantes de suspense e o francês Michel Gondry volta as telonas com a comédia dramática The We and the I. O romance Hemingway & Gellhorn de Phillip Kaufman estrela Clive Owen e Nicole Kidman em um drama histórico e o filme mais curto do festival, Mekong Hoel, é do tailandês Apichatpong Weerasethakul, com duração de apenas 1 hora.

 

Para mais informações, confira o site oficial do Festival do Rio 2012.

Esse final de semana fui assistir “Sombras da noite”, o mais novo filme de Tim Burton. Em sua oitava parceria com seu queridinho Johnny Depp, o diretor faz uma adaptação da série Dark Shadows, exibida na TV americana entre 1966 e 1971. O enredo conta como o empresário inglês do século XVIII,  Barnabas Collins, foi amaldiçoado pela mulher por quem estava apaixonado, uma bruxa maravilhosamente interpretada por Eva Green. Dois séculos depois, ele escapa do caixão no qual foi enterrado vivo e surge nos dias modernos na pele de um vampiro.

Em um clima envolvente à la Familia Adams, Burton consegue captar a atenção do seu público com o estilo gótico, que já se tornou sua marca registrada. A direção de arte impecável mostra perfeitamente o tom da época com a fotografia e figurino em tons fortes retratando as roupas e penteados da década de 70. O filme traz muito do humor negro sem nos poupar das piadas em torno do choque cultural de Barnabas tentando se adaptar a nova época, proporcionando toda a leveza do enredo. Mesmo sendo muito fã das obras de Burton, confesso ter me decepcionado com o resultado da trama. Por mais que tenha caprichado na recriação da época, o diretor não consegue desenvolver os seus personagens, deixando em aberto problemas existentes e propondo um final muito breve e repentino.

Ainda sim, não vai ser difícil do filme agradar aos fãs de Tim Burton e aqueles que curtem uma comédia diferente com humor sombrio.

Imagina poder acompanhar os bastidores de uma filmagem de um dos maiores astros do cinema? Foi assim que me senti assistindo ao filme sobre Marilyn Monroe – Sete dias com Marilyn. Conseguindo nos aproximar da intimidade da diva, o roteiro é baseado no livro homônimo de Colin Clark – interpretado no filme por Eddie Redmayne – que conta os bastidores do auge da carreira da atriz. Michelle Williams mergulha no papel em uma interpretação hipnotizante, nos deixando confundir muitas vezes com a própria Marilyn.

O enredo conta a estadia da musa em Londres para filmar “O príncipe encantado” do prestigiado Laurence Olivier (Kenneth Branagh). O jovem assistente do cineasta, Colin Clark (Eddie Redmayne), vive um romance com a mulher considerada a mais sexy do mundo. O affair não apenas muda a vida do aprendiz, mas também revela um ângulo pouco explorado da complexidade da personalidade de Marilyn Monroe.



Pra deixar com mais vontade de passar 7 dias com Marilyn…

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=U_tbnTM7zVE

Ontem fui ao cinema assistir ao filme Shame e confesso ter ficado bastante surpreendida com sua narrativa. O filme, segundo longa-metragem realizado pelo renomado artista plástico Steve McQueen, é protagonizado por Michael Fassbender. Em uma atuação escandalosa, Michael vive o cotidiano de Brandon Sullivan, um homem aparentemente bonito e bem-sucedido, que nem permite aparentar tamanho isolamento interno ou mesmo vestígios do seu vício em sexo. Sua vida privada, sempre cuidadosamente cultivada, é interrompida pela chegada repentina de sua irmã Sissy, interpretada por Carey Mulligan. Ela, por sua vez, é intrusiva, deixa suas roupas jogadas pela casa e está longe da ilusória coordenação de Brandon.

Por coincidência, saiu hoje no Segundo Carderno do jornal O Globo uma crítica maravilhosa ao filme na qual foi destacada uma de suas cenas mais impactantes: Sissy, que é cantora, ressalta a delirante tristeza que vivem em uma apresentação de “New York, New York”. A letra da música atravessa Brandon em uma crítica aos valores de uma sociedade moderna: “Eu quero acordar / Numa cidade que nunca dorme / E descobrir que sou o número um, topo da lista / Rei do pedaço, o número um.” A música, cantada tristemente por quem vive o contrário do que está dizendo, faz Brandon chorar, refletindo a pressão que sente todos os dias no contexto em que está inserido.

Nos fazendo pensar criticamente, McQueen arremata o filme mostrando Brandon preso em seu próprio cotidiano, incapaz de sair de um ciclo vicioso de ações que o amarram a sua tristeza. Um filme surpreendente com inúmeras possibilidades de interpretação.